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Meu Mundo Utópico

3 de janeiro de 2010

Eu imagino um mundo onde não há fronteiras. Onde o homem pode, e deve viver livre pelo planeta Terra, escolher onde quer morar, sem governos para aceitar. Seja nos Alpes, China ou mesmo Filipinas, mas que seja onde desejar.

Eu imagino um mundo com crianças alegres, onde aprendem filosofia, música, matemática, artes e sociologia desde os 7 anos. Não teriam o método de ensino como os de hoje. Aprenderiam não para as provas, mas para a vida. Onde cada homem saberia lidar com o outro de forma pacífica e humana, com respeito e amor. A sociedade não precisaria de governadores corruptos. A própria natureza seria tratada de forma especial, e o mundo estaria finalmente equilibrado.

A partir do momento em que o homem aprende a lidar com o outro de forma civilizada e humana, ele não precisa de alguém para governar sua vida. Ele sabe cuidá-la sem prejudicar os outros, e acima de tudo sabe viver em paz.

Se em todos os países do mundo, os governos fossem derrubados, e uma nova educação mundial fosse aceita, o mundo seria totalmente diferente em apenas 30 anos. As crianças, que hoje estão acostumas a ter máquinas para pensar por elas, aprenderiam a filosofar e a ter ideias próprias do que é importante. Elas saberiam fazer as escolhas certas para si mesmas sem atrapalhar os outros.

As relações internacionais não existiriam, pois o mundo seria de todos! A beleza natural de cada “país” deveria pertencer a todo ser humano nascido em nosso planeta. A Terra seria lar de todos os habitantes, e todos deveriam ter o direito de visitar todos os lugares que quisessem sem ter que pedir permissão ao governo local.

Se todas as pessoas soubessem conviver umas com as outras sem prejudicar o próximo, os governos não seriam mais necessários. Nós, como seres racionais, não precisaríamos de homens corruptos nos obrigando a fazer o que bem entendem, não é?

Eu imagino um mundo anarquista e humano. Onde a Terra seria a casa de todos.

Monólogo De Uma Vingança

19 de dezembro de 2009

Entra na sala, com as mão molhadas, Helena. Admira-se no espelho e solta uma longa gargalhada. E aos poucos começa seu discurso a frente do espelho:

-Aquele maldito, ele merecia. Não soube dar valor ao que tinha. Eu sou aquela que fazia papel de sombra, sua boa mulher. Tratava com carinho e cuidado, em troca de nada. Aquele maldito. Nem flores me trazia em nossos aniversários. 15 anos casada, nenhum filho. Sexo, não existia a partir do segundo ano de casados. Era óbvio que ele tinha outra. Coitado, pensava que eu não sabia. Coitado.

Helena, uma mulher formosa, alta e morena, admirava seu feito refletido no espelho e gabava-se, ria e seus olhos brilhavam como nunca.

– Eu era tão boa, comia quieta. Aquele maldito, sim MALDITO, acabou com a minha felicidade, com a minha dignidade! Minha alma foi arrancada, e ele deixou aqui apenas a carne usada, que seus dedos e lábios acariciaram tanto antes da Outra. Ah, eu jurei que ele me pagaria. Não sairia viva dessa desgraça sem levá-lo comigo!

Helena cuspia as palavras com acidez para o espelho, seu coração pulava, mas não sentia-se cansada e nem ofegante. Apezar de tudo, uma enorme felicidade abrangera seu corpo, que antes sofrera de tanto descuido. Ficara carente com o marido ausente, mas nesse momento queria ficar sozinha e gozar de sua euforia.

Sentou-se em uma poltrona vermelha e redonda, e começou a pensar em voz alta:

– Aquelas malditas mãos que tocaram meu corpo nu, foram as mesmas que tiraram do meu ventre a vida que me faria companhia, a vida que daria sentido a minha. Aquelas mãos malditas que abortaram uma vida querida, meu filho. 

Ao dizer essas palavras, Helena desaba ao chão, e chora, como se o mundo fosse acabar, como se seu coração tivesse sido arrancado de seu peito, e não pudesse respirar. A sala ficava escura, e uma voz, ao fundo dizia:

– Vá Helena, faça também, acabe logo com isso. Já cumpriu sua missão.

Helena colocou-se de pé cambaleando. Não enxergava bem com os olhos molhados. Seguiu o reflexo de seu feito no espelho e riu. Aproximou-se da poça de sangue e sentou-se ao lado do corpo.

– Você merecia querido maldito. Ah, você merecia. 

Helena olhava bem nos olhos azuis do ex-marido, e sorria para ele. Até que ouviu novamente a voz, e o punhal que estava jogado ao chão, parecia uma boa saída.

Helena olhou-se no espelho de longe, pegou o punhal, e disse:

– Aqui, meu querido amigo, foi o monólogo de uma vingança.

O Velho Relógio Da Parede Amarela

9 de novembro de 2009

Era óbvio que ela entraria em desespero logo mais. Estava de pé em frente a janela ampla da sala de estar. Vestia um belo vestido branco. Estava impecável. Porém, suas unhas eram devoradas a cada minuto que se passava. Estava demorando demais. Será que lhe havia acontecido alguma coisa no meio do caminho? Afinal a viagem não demorava tanto assim.

A cada tic-tac do velho relógio de pêndulo que havia na parede amarela, seu coração batia cada vez mais rápido. Não conseguia controlar-se. Não parava de pensar um instante sequer. Suas mão suavam, e os ponteiros do relógio demoravam milênios para andar. Eram quase dezessete horas e nenhum sinal de vida perto daquela velha casa. Na carta dizia claramente que ele chegaria as dezesseis hora na estação.

Ela ficava cada vez mais aflita, cada vez mais desesperada. Estava sem esperanças. Duas horas se passaram, mas sentia como se fossem dois dias de espera. Quando se dirigia ao quarto, já desiludida, a campainha tocou.

Seus olhar logo pousou na porta, seu coração pulava mais rápido do que nunca pulara em toda sua vida. Suas mãos tremiam, o sangue pulsava em sua cabeça, tão rápido que podia sentí-lo muito forte.

Não sei dizer quanto tempo ela fico ali, parada sem acreditar se era verdade. Será que era um fruto de sua imaginação? Não poderia, ela tinha escutado a campainha! Já era hora dele chegar. Foi então que a campainha tocou outra vez, e ela ainda não se movia, o som ecoava em sua mente, mas não conseguia abrir a porta.

Teve medo, suava frio. E se ele estivesse diferente. O que ela faria? Foi então que ela abriu a porta lentamente. Não conseguia olhar para frente. Seus olhos estavam fixos no chão. Quando seu olhar encontrou as botinas surradas, quis olhá-lo nos olhos. E segui-o pelo corpo todo, até se deparar com uma tez encardida, cansada e ao mesmo tempo feliz.

Ela não conseguia acreditar que era ele. Ficou o encarando admirada e amedrontada ao mesmo tempo por alguns segundos. Não sabia o que fazer. Foi então que ele ajoelhou-se, tirou algo do seu bolso, parecia uma caixinha. Não, não poderia ser! “Será este o motivo do atraso?” pensou.

Ao abrir a caixinha ao seus pés, ele disse com a voz mais calma, aveludada e perfeita que ela já ouvira:

– Meu amor, quer se casar comigo?

Ela não sabia o que fazer. Estava tão feliz, e ao mesmo tempo apavorada. Ele estava tão acabado com aquela farda. Mas memso assim não podia recusar! Ela o amava mais que qualquer coisa no mundo!

Foi então que ele a pegou nos braços, e a beijou como nunca fizera antes. Um beijo apaixonado, ardente mas calmo, suave e molhado. Foi uma noite longa e agradável na velha casa. E aquele relógio velho da parede amarela, continuou seu tic-tac durante toda noite, mas dessa vez, os milênios demorados foram perdoados pela jovem moça.

O Professor

30 de outubro de 2009

São 06:45 da manhã;  Arthur, o professor de história estaciona seu carro velho na rua da escola estadual.

Antes de sair do carro, acende um cigarro enquanto fixa os olhos cansados sobre o volante. Nem termina de fumar, respira fundo, com o coração saltando, e sai do carro. Abre o porta malas e tira sua maleta.

As 07:30 começa sua primeira aula, Revolução Francesa. “ Como vou ensinar um fato tão importante à alunos como os meus? E se me ameaçarem como fizeram ao professor de matemática? Ah, se eu pudesse escolher outra vida… (toca o sinal das 07 horas) Ah! Desgraça!”

Entra na sala dos professores com o mesmo olhar perdido de sempre. Nem dá bom dia aos colegas, simplesmente pega um café e senta-se em uma cadeira.

Passado meia hora o sinal toca; Arthur caminha até sua sala de aula, nervoso, suando frio, com medo, bravo, o coração dá mais pulos que um grilo em seu peito, seriam cem grilos pulando, passou a mão pelo rosto molhado e frio quando chegou a porta da classe. Ele podia ouvir a gritaria da turma, os palavrões, risadas e escárnios.

Arthur era um homem que gostava muito de ensinar história, de falar, explicar, porém com essa turma, virou um homem lacônico, seco, frio e direto.

Arthur entra na sala quase que tremendo, consegue ouvir o sangue pulsando em sua cabeça. A turma nem percebe sua presença, o que era bom, menos tempo para enfrentá-los.

Passam alguns minutos, e os alunos começam a “silenciar” a sala. Arthur nem os cumprimenta mais, sempre que o fez não fora respondido. Sentado em sua cadeira, o homem atordoado tira um maço de provas corrigidas de sua maleta. As notas foram péssimas, dois ou três passaram nessa matéria.

Como de costume, o aluno mais complicado da escola, Francisco, ou mais conhecido como Fran, o traficante da escola, não passou em sua matéria, como também será reprovado dali algumas semanas.

Arthur foi chamando um por um para receberem as provas. Claro que não foi um trabalho muito fácil, pois todos estavam fazendo qualquer coisa menos prestar atenção no professor. Quando o nome de Francisco foi pronunciado por Arthur, a classe silenciou-se. Francisco levantou-se da cadeira enferrujada da ultima fileira, e dirigiu-se com os olhos vivos, fixados nos de Arthur.

Ele caminhava quase como em câmera lenta, com ar de dono da situação. E era bem verdade, Arthur estava estático, suado, engolindo seco, seu coração batia tão rápido quanto antes. Quando Fran  deu o ultimo passo em sua direção, e esticou o braço magro para receber a prova, Arthur abaixa a cabeça e a entrega ao aluno.

Num primeiro momento, Francisco não tem reação ao ver sua nota. Conforme os milésimos de segundo passam, Fran vai percebendo o buraco onde tinha entrado. Ele olha no fundo do olhos de Arthur e diz na maior serenidade “sê vai se arrepender disso, ta ligado mano? Te cuida”.

Ao ouvir essas palavras, o cérebro de Arthur não conseguia processar a mensagem, a frase ficava ecoando em sua mente, a sala rodando, seu coração pulando, os alunos conversando entre si enquanto olhavam sua expressão. Até que Arthur entendeu o que Francisco havia dito e fez o possível para não entrar em pânico.

Continuou chamando os nomes dos restantes, porém sua mente estava muito longe. O olhar estático e vivo de Francisco o seguia a todo movimento, ele podia sentir.

Após a entrega das provas, Arthur começou a colocar alguns tópicos na lousa sobre a revolução francesa. Anotou algumas páginas de livros para estudarem e sentou-se em sua cadeira novamente. Até que encontrou o olhar de Francisco nos seu e imediatamente abaixou a cabeça. Começou a escrever algo no diário de classe para passar o tempo. Ele sentia uma incrível necessidade de fumar.

A aula acabou e todos os alunos saíram correndo da sala. Menos Fran, que levantou-se devagar e fitou o professou perturbado até sair da sala, sem trocarem nem uma palavra se quer.

Arthur deu algumas outras aulas para turmas bem mais calmas no resto dia, porém não conseguia para de pensar na frase intimidadora de seu aluno. Aquilo o intrigava completamente. De uma forma interessante e assustadora ao mesmo tempo. A curiosidade trazia frio na espinha de Arthur.

Ficou em sua sala até mais ou menos 18:00 horas corrigindo provas, e preparando algumas aulas. Ás vezes ia ao pátio fumar alguns cigarros. Mas pensava na frase de Francisco todo o tempo. Estava escuro do lado de fora, o vento começava a ficar nervoso, e fazia muito barulho, até que o homem confuso e cansado decidiu que era hora de ir para casa. Arrumou sua sala, pegou a maleta e foi direto para a rua da escola, nem se quer passou pela sala dos professores.

Quando atravessou a rua, viu um vulto encostado em seu carro velho e surrado, um rapaz todo de preto como a noite. A única coisa que podia ver era o reflexo de algum objeto metálico em suas mãos maliciosas. Seu coração pulsava, ele não conseguia se mover, o pânico tomava conta de seu corpo todo, o medo e o pavor eram seus companheiros, sentiu um calafrio ao olhar o reflexo, era uma faca.

O vento assobiava em seus ouvidos e vulto começava a se aproximar, o objeto girava em suas mãos, quase que hipnotizando Arthur. Até que num ato repentino, o vento cessou, e o reflexo molhado de sangue cai ao chão junto com o corpo do homem. O único vulto que permaneceu naquele lugar era a noite, escura, fria, com seu único reflexo, a lua.